sábado, 21 de julho de 2012

Cumplicidade sem palavras

Hoje o dia teve um revés e assim que estive com a J. pedi-lhe um beijo e um abraço. Não há como o carinho dos nossos filhos para nos aquecer o coração e fazer esquecer o que nos entristece. Depois de umas brincadeiras na piscina, estivemos a apanhar sol na varanda, pois a rapariga não queria ir tomar banho. E foi aqui que ao som da música que se fazia ouvir de uma festa vizinha que a minha pirralha me desafiou a dançar. Lado a lado, e ao mesmo ritmo, dançámos. Foi muito engraçado vê-la a abanicar os ombros tal e qual como eu. Da espreguiçadeira do lado saltou para o meu colo (eu estava semi deitada) e começou a dançar como uma crescida. Dança bem. Tudo o que fiz - nada infantil - ela imitou na perfeição. Parámos a olhar uma para a outra, sorrimos e de seguida gargalhámos retomando a dança. (Vai começar cedo a pedir-me para sair à noite. Tenho a certeza. Já o achava quando a vi dançar Boss Ac e Rihanna com o pai ao domingo de manhã. Hoje perderam-se as dúvidas). E foi neste momento simples, que a cumplicidade falou mais alto e na minha cabeça se acendeu a luz que diz que por muito que haja coisas que nos deitem abaixo, estes momentos com os nossos filhos são a maior riqueza que temos. É verdade que não nos pagam as contas, mas não há melhor ajuda para ultrapassar todos os problemas. 
Os filhos deveriam ser cada vez mais vistos como seres com os quais temos uma ligação inexplicável e não só pelo fato de "sairem muito caros" - como já ouvi dizer. Os nossos filhos não precisam do "tudo" material, precisam desta cumplicidade, de sentir este amor e esta proximidade que não é feita pelo número de sapatos, roupas de marca ou toneladas de brinquedos. Tenho a certeza que aquele momento valeu muito mais do que qualquer roupa que lhe tivesse comprado.

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