sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mundo ao contrário...

Ainda hoje tive a prova de que vivemos num Mundo de ressabiados e frustrados. Num Mundo em que muita gente está sempre à coca para apontar o dedo aos outros sem saber a realidade, para dar um bitaite só para se sentir melhor consigo mesmo.
Uma sociedade onde cada vez se olha mais para o umbigo. Uma sociedade onde se critica a Pepa porque ela quer uma mala de 3 mil euros, e não pelo facto da criatura não ter um discurso fluido e com conteúdo e ser imagem de uma marca.
Numa altura em que este país precisa tanto que as pessoas se unam, se entre ajudem com sinceridade e sem atropelos... há muito boa gente (e nisso sou uma privilegiada), mas sinceramente existem muitas bestas.
Muitas que se têm cruzado nos meus dias desde que a Leonor morreu. A minha dor não é maior do que a de outra mãe. Não é sequer comparável à tão, infelizmente, conhecida mãe do Rui Pedro. Mas ouvir certas conversas faz-me pulsar o coração e dá-me voltas ao estômago.
Diz o ditado popular que "de médico e de louco todos temos um pouco" e  parece estar enraizado que assim deve ser.
Passei quase um mês da minha vida nos hospitais e vi como médicos e enfermeiras lutam pela vida de seres humanos (não eram só bebés). Lutam muitas vezes com poucas condições e (também eles) sofrem violentos cortes salariais. Para não falar do modo como são tratados por quem a eles recorre sem qualquer educação ou agradecimento/reconhecimento pelo seu trabalho. Eles salvam vidas, não atendem telefones.
Depois de tudo o que vivi acho um ultraje pagar mal a quem passa horas, às vezes dias a tratar quem precisa. A quem a qualquer hora do dia deixa a sua família para correr para um hospital e ajudar um familiar de outrem que precisa. Isto aconteceu-me. Na madrugada de 24 de Dezembro, ouve um anjo que não estava a trablahar e foi de urgência ao Hospital de Santa Maria ver a minha filha. A UCIPed estava cheia de meninos e a correria de médicos e enfermeiros para salvar e cuidar aquelas crianças, não tem descrição. É o trabalho deles, é verdade. Mas não é só porque estudaram para isso. É porque nasceram para isso, Porque vivem para isso. E nós só temos de lhes agradecer.
Se ouvi queixumes? Ouvi! Da frustração. A frustração de não conseguir salvar vidas.
Mas enquanto não precisamos dos médicos do corpo tentemos ser médicos da nossa alma e salvemos a nossa vida. A nossa sociedade precisa disso e o Mundo também. De outro modo, o que nos espera é o fim do poço.
Hoje não era para escrever, mas depois de ler o post do meu sogro sobre a árdua vida que tem, as palavras tomaram conta dos meus dedos.

http://jimmythesailor.blogspot.pt/2013/01/vida-de-marinheiro.html

Não sou dona da verdade, nem o pretendo ser. Apenas me permito dar voz ao que sinto.
Obrigada a todos os que me têm lido e ajudado a viver um dia de cada vez, tal como, a minha Ninocas me ensinou.

2 comentários:

  1. Bem, cheguei hoje aqui... fiquei aqui presa... O que viveu é algo contra-natura... algo que não consigo sequer imaginar...

    E por mais que queira escrever algo que faça sentido, e que encoraje... não há palavras... só sentimentos em turbilhão...

    Desejo muita força!

    <3

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