quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Porque um dia é O dia

Cresci com a educação de que tudo tinha de ouvir e acatar, sem direito a expressar-me. Graças ao feitio que Alguém me deu, sempre lutei por dar voz à minha alma e coração. Foi esta mesma voz que me fez chegar aqui hoje e escrever estas palavras, bem como, todas as outras que escrevi nos últimos dias que tenho vivido. Dias que não são negros. São cinzentos, pois a tristeza mistura-se com a luz do sorriso que a Leonor deixou nas nossas vidas. 

Desde que engravidei que tinha o feeling que esta miúda me iria mudar e iria mudar muito as nossas vidas. Sempre relativizei o meu sexto sentido, mas mesmo que nunca o tivesse feito, a minha imaginação jamais alcançaria o que acabou de nos suceder e o que agora estamos a viver.

Perguntam-me da dor que devo estar a sentir, mas o que vos digo é que não sinto dor. Sinto um vazio. Apesar de a sentir comigo e de saber que, por alguma razão que só o tempo me dará a resposta, a sensação de que nos falta algo importantissimo é gigante. Fujo das ideias do que o futuro poderia ser. Do que falámos fazer a quatro e agora já só faremos a três. 

As lágrimas são inevitáveis, mas do fundo do coração vem um respirar fundo que nos empurra para a frente, com a certeza de que a nossa vida será sempre iluminada pela nosssa Leonor. 

A morte da Leonor não fez de mim uma desgraçadinha. Só mais uma mãe, que como tantas, perdem os seus filhos. Lembro-me muito da mãe do Rui Pedro. Eu sei onde está a minha Leonor. Ela não sabe do seu filho. Sei que tenho de superar isto. 


Esta perda fez-me olhar ainda com mais assertividade e clarividência para o que realmente importa e que quero na minha vida. 

Há muito que adiava fazer um determinado corte na minha vida. Por respeito, educação,  porque não podemos levar tudo ao extremo... mas há situações que quanto mais se adiam mais nos mostram que não podem ser adiáveis. 

Sempre procurei o amor sincero e desinteressado e encontrei-o. Com o meu querido Miguel, com os meus queridos amigos que não preciso de nomear. Há muito que digo que a minha vida é como um móvel cheio de gavetas de vários tamanhos. Consoante as relações as coisas estão guardadas em determinada gaveta. Hoje o meu móvel ficou com uma gaveta sem fundo. Uma gaveta que há muito eu abria pouco para não me magoar. A gaveta que deveria estar sempre aberta na minha vida e seria a primeira a abrir-se para me dar a mão com sinceridade e ajudar neste momento. Mas isso não aconteceu. Nessa gaveta tem sempre existido inveja, mesquinhez, maldade e nunca Amor. O Amor que eu tenho o privilégio de viver duas vezes na minha vida. 

No dicionário a a palavra corte tem como designação "interrupção de um processo, de uma acção, de um efeito, de uma ligação". Foi isso que eu hoje fiz. Arrancar as ervas daninhas que teimavam em fazer-me sentir mal. As ervas daminhas que desde sempre me apontaram o dedo por querer ser diferente, por crescer como queria, por amar como sempre achei que deveria amar. 

Quem lá no alto tudo gere tem-me ajudado nesta poda incessante que hoje terminou. 

No dia em que me despedi do corpo da minha Brave Leonor e lhe dei asas num sítio que para nós é sinal de amor, olhei em redor e revi a minha manhã. A manhã do dia em que a minha segunda filha fazia 4 meses. A manhã que me mostrou que se acabaram as ervas daninhas. Estava e estou num jardim repleto de flores. O mesmo jardim que quero regar todos os dias para que a minha flor chamada Joana cresça feliz e livre. 

3 comentários:

  1. És uma mulher de uma enorme coragem e dedicação. Vives intensamente todos os dias com uma determinação admirável e espalhas toda a tua energia pelos que te rodeiam.
    Ha pessoas que nao te merecem.
    Beijinhos grandes minha querida prima.

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  2. Minha querida Irina. No dia em que a Joana nasceu eu disse-te que tinhas sido promovida a mãe da Joana. Tu entendeste as minhas palavras.
    Hoje és e serás sempre a minha filha, promovida a mãe da Joana e da Leonor. Podes contar sempre connosco...
    Beijo muito grande

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  3. Amiga

    Segue a tua vida pois estás rodeada de muito amor.
    Um anjo vos guarda, agora no céu.
    Sê forte porque a vida continua, para menina que ainda és, mas uma grande mãe e uma grande mulher.
    Deus existe e guarda a Leonor.
    Fecho os meus braços em redor de ti num abraço enorme de uma amizade e admiração profunda.

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