domingo, 7 de abril de 2013

O tempo passa...

... e o vazio mantém-se. Há dias fáceis de viver e outros bem dificeis de suportar.
Já sabia que iria ser assim. Se demorou muito para que aos 17 anos me habituasse à ausência do meu pai (mesmo depois de anos de cancro), com a minha filha só pode ser pior. Aliás, acho que nunca vai passar. À noite quando vou para a cama continuo a sentir um vazio enorme no lugar do berço (mesmo com a decoração do quarto mudada). Fecho os olhos e lembro-me dela ao meu colo a mamar durante a noite, o seu sorriso, o ar cúmplice quando me agarrava o dedo e não largava fazendo-me sentir que ia precisar de mim. E precisou! Tanto! Fiz o melhor que pude. Aguentei o mais que consegui e irei aguentar para o resto da minha vida tudo. Por ela e pela Joana.
Não tenho escrito pois o meu corpo quebrou aos últimos meses. Além do golpe fatal outras tantas coisas tristes me aconteceram a nivel familiar. Tristezas com as quais tenho lidado. Tristes porque poderiam ter outro fim e não tiveram. A escolha não foi minha. Aliás, há muito que tive de aprender a libertar-me das más escolhas de uma pessoa, que por muito que me magoe, não deixa de ser importante para mim.
Tenho andado a cuidar de mim e do meu corpo. Já controlo melhor a ansiedade de querer saber já o porquê da morte da Leonor (acredito que não foi por acaso). Sei que virá na altura certa. Quando eu estiver preparada.
Li nos últimos dias o livro "A cabana" de Paul Young que me emprestaram dias a seguir à morte da minha pirralhinha. Trata-se da conversa com Deus de um homem, cuja filha mais nova foi raptada e assassinada, sem nunca terem encontrado o seu corpo. Recomendo vivamente a sua leitura. Não estive, nem estou revoltada com a entidade superior que acredito que exista. Resignei-me quase que desde o instante em que peguei ao colo na Leonor, sem vida. Pelas coisas que vivi com ela e pelo que ela me fez sentir. Este livro é sem dúvida uma viagem contra os pré conceitos da religião. É um exercicio ao amor. Ao que temos por nós e por quem nos rodeia. Uma forma clara de ver para além do óbvio.
Marcou-me por conter algumas frases que uso há anos e por referir que o que nos magoa também acaba por nos ajudar. É disso que estou à espera desde o dia em que a Leonor morreu. Tal como lhe prometi, todos os dias a minha cabeça pensa no que posso mudar e fazer para dar sentido à sua partida.
Confesso que quando ela partiu recebi muitas mensagens de amigos e amigos de amigos a dizerem que deixaram de fazer isto e aquilo para aproveitarem ainda mais os seus filhos. Fiquei feliz por saber isso. Também eu tento usufruir mais da Joana e deixá-la usufruir mais de mim. Afinl num instante vai estar na idade em que não é cool passear com os pais e etc e tal. O que agora plantar com ela acredito que vou colher mais tarde.Quanto ela já for adulta e ainda se quiser aninhar no meu abraço. Um dos meus sonhos de sempre quando pensava em ser mãe. O mesmo abraço que dou e darei mentalmente à Leonor, todos os dias, até ao que quando fechar os meus olhos a reecontre do outro lado. Seja o outro lado o que for.

5 comentários:

  1. Daqui, sempre o meu abraço. Tiveste de saber pela forma mais dura, o que é de facto estar, aqui e agora, e foste abençoada pelo amor. E acredita que estas tuas palavras aqui partilhadas são para mim muito importantes e acredito que para muitos. A tua esperança no futuro é muito, muito inspiradora. Um beijinho

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  2. Um beijinho do tamanho do mundo...
    Ja li a cabana ha uns tempos e nunca mais me saiu da cabeça.
    Obrigada por partilhar. Sei que muitos vão gostar de a ler. Muitos beijinhos

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