quarta-feira, 12 de junho de 2013

Até um dia minha Fernandinha

Chegaste aos teus 98 anos com uma lucidez incrivel. Uma lucidez que tenho pena de ter não ter partilhado mais. Quis a vida que eu ficasse sem a capacidade de te ocultar tudo o que me aconteceu e por não te saber mentir não te vi.
Fechaste os olhos e partiste serenamente. Que bom! Merecias e muito. Por tudo o que passaste. Por tudo o que te fizeram. Pela pessoa linda que sempre foste.
Já tinha saudades tuas e vou continuar a tê-las. Partiste mas deixaste-me cheia de boas memórias e com o coração quentinho por te ter tido na minha vida. Não eras da nossa família de sangue, mas eras a minha avózinha. Nunca me hei-de esquecer de quando furei o dedo na tua máquina de costura, de quando me levavas à feira popular e ao frango assado no Bom Jardim no Rossio. Do quanto eu gostava de estar contigo no teu quarto a ver as tuas coisas. De quando fracassadamente (devido à minha falta de jeito) me tentaste ensinar a fazer croché. Não esqueço as roupas que me fizeste nem as que me arranjaste. Nunca me esquecerei de ti.
Sei que agora já sabes porque não te conseguia ir ver. Sei que me compreendes, como também sei que a esta altura já conheces a minha Leonor. A minha estrelinha. E tal como um dia sei que a encontrarei quando partir, tenho a certeza absoluta, que hoje depois de fechares os teus olhos de vez a este mundo, abriste-os e encontraste o teu filhote que (tal como eu) viste partir tão cedo.

Recordo os teus olhos azuis e o teu sorriso.
Obrigada por teres existido na minha vida.
Até um dia minha querida Fernandinha

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