segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Bis

Há dias que não escrevo e agora que me apeteceu escrever o título seria o mesmo do último post: Saudades.
As da Leonor são diárias e sei que serão para toda a vida. É aprender a viver com elas e com a sua ausência. Rever as suas fotografias é sempre o lembrar de algo que se viveu, o aumentar das saudades e o lutar contra a ideia de como ela estaria agora, as gracinhas que faria, etc. Será sempre assim. É um hábito que estou a aprender a criar.
A verdade é que as saudades também chegam através de coisas que antes não gostávamos. No inicio do mês senti isso. A falta dos comentários mordazes e ininterruptos. Aqueles que me irritavam, que me faziam perder a paciência... Mas que me faziam senti-la viva e perto. De repente é o silêncio que reina. Não existem conflitos. Não existem constantes irritações. Mas é estranho. Reflexo de que somos um animal de hábitos. Até às coisas menos boas nos habituamos. E quando não as temos, sentimos falta delas.
Sinto falta de minha filha e dou por mim muitas vezes a pensar que a minha mãe não me ligou hoje. Já ela estava no lar e eu sentia isso. Agora sei-a do outro lado.
Foram muitas mortes em pouco tempo. As naturais da idade. A demasiado cedo. A provocada e desejada. Mas todas deixam o mesmo: um vazio.
São vazios diferentes. Mas a verdade é que em vida tudo nos ajuda a construir o que somos: o bom e o mau; o que nos irrita e o que nos faz amar; o que amamos e o que destestamos.
Não somos mais do que a simples soma de todas estas partes, numa grande equação, que todos queremos ver resolvida, mas que só ela se resolve a si mesma, no momento matemático antevisto na sua origem: a VIDA.

3 comentários:

  1. Nunca sei bem o que dizer... todas as palavras do mundo são vãs. obrigado pela tua partilha e testemunho! bjinhossssssss

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  2. Olá Irina
    Quando acabo de ler o que escreve fico sempre com um vazio e uma falta do que lhe dizer.
    As suas palavras são tão intensas e a sua dor é tão transparente.
    Os dias que se vão seguir para si vão sendo cada vez mais pesados e a data que se aproxima ainda vai agravar mais o sentimento de perda.
    Gostava de ter palavras para a aliviar ou conseguir de alguma forma minimizar esta sua dor que mesmo não conhecendo pessoalmente como já lhe referi anteriormente faz parte dos meus dias, dos meus pensamentos e das minhas orações.
    Desejo tudo de bom para si e para quem ama. Muitos beijinhos Estela

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    1. Querida Estela obrigada pelas suas palavras e pelas suas orações. Acredite que os meus dias têm muito de alegre. A dor convive com a alegria de viver e com o privilégio que é ter a Joana. A vida deu-me este desafio de unir a felicidade a uma tristeza constante e sei que vou sair vencedora. um beijinho

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