domingo, 8 de dezembro de 2013

Dia Internacional em Memória dos Filhos que partiram

Não fazia ideia de que este dia existia até há cerca de menos de um mês.
Quis a vida que a minha perda me fizesse ganhar a consciência de uma realidade ainda mais nua e crua da que imaginava. Conheci várias mães. Mais que muitas. Mais do que a vida devia permitir.
Mães que se unem na dor da perda de um filho.
Mães que nos seus dias maus desabafam e pedem ajuda.
Mães que nos seus dias melhores usam a sua força para elas e para ajudar as outras.
Mães que todos os dias chegam ao grupo "virtual" a sofrer com a dor da partida do Ser que, mesmo que com poucas semanas de vida no seu ventre, já amavam incondicionalmente.
Pode falar-se muito do amor de Mãe. Mas só se sabe o que ele realmente é no dia em que nos tornamos Mães. No dia em que sabemos que temos uma vida a crescer dentro de nós.
Estamos preparadas fisicamente para os trazer a este mundo. Não estamos preparadas psicologicamente preparadas para os ver partir, sem os ver crescer e concretizar todo um imaginário que temos neste amor, que não tem palavra que o descreva. Incondicional é pouco.
Quanto mais penso no que vivi há quase um ano. Na quantidade de crianças que vi entre a vida e a morte. De uma menina de 10 anos, filha única, que partiu... Abro os olhos para a vida. Penso no egoísmo que temos ao viver o nosso dia-a-dia, no nosso pequeno mundo, muitas vezes preocupados com merdices e a exagerar com outras tantas... e o dia-a-dia destas pessoas (tal como foi o meu) ali. Num hospital. Onde os apitos constantes se tornam a nossa segurança. A certeza de que o nosso filho(a) ainda está deste lado, alimentando a esperança de que tudo vai correr bem e não vamos perde-lo.
Vivi o Natal de 2012 intensamente. Com a Leonor entre a vida e a morte, só na passagem de Ano estávamos mais aliviados. Confiantes num futuro que sabíamos difícil e longo... mas que acabou por ser apenas de 13 dias.
Quase um ano depois, penso que parece que foi ontem, que tudo passou. A angustia assalta-me. Refugio-me dela pensando na certeza que senti quando a tive de a tirar dos meus braços dizendo que tinha de a deixar partir.
Sabia que os tempos iam ser difíceis. Horríveis mesmo. E são. O truque?
Agarrar-nos a tudo de bom que temos.
Aproveitar a vida o mais que se pode.
Amar. A nós mesmas e ao que nos rodeiam e nos amam.
Partilhar. A dor, mas também a alegria.
Dizer o que sente, mesmo que isso não seja o que os outros querem ouvir.
A morte de um filho muda-nos para sempre. Torna-nos mais fortes, mas também nos torna mais duros. Menos egoístas. Mais atentos. Mais centrados.
A dor essa não passa. Não parte como o nosso filho partiu. Fica aqui. No canto de um sorriso que se esboça pela vida, pelo que se tem, mas também pelo que se deixou de ter. Está sempre lá.
Desde o dia 6 de Janeiro de 2012, data em que soube que estava grávida tornei-me mãe de um Ser. Um Ser que nasceu a 14 de Setembro de 2012. Um Ser a quem demos o nome de Leonor. Um Ser que acredito que cumpriu a sua missão na véspera de fazer 4 meses. Um Ser de quem morro de saudades, mas que me ajuda a aquecer o coração e a olhar para a vida com outros olhos. Um Ser que me faz querer ainda mais ser Mãe da minha Joana. Aproveitá-la. SER MÃE.
Medos? Claro que existem. Mas tentamos dar-lhe pontapés no rabo e mandá-los passear. Obrigamos o sorriso a vencer.
Lembro-me desta frase que aprendi na adolescência e que cada vez faz mais sentido na minha vida:
"Sorri. Porque mais triste do que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir".
Por isso, hoje, mais um dia da minha vida, mesmo tendo uma filha que partiu SORRIO. Por ela, pela minha outra filha, por mim, pelos que amo e me amam.
Ontem, hoje e sempre: SORRIO.



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