quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hoje o céu ganhou mais uma estrela

Sabíamos que em breve partiria. Os 89 anos já o anunciavam. Mas esperamos sempre sem esperar. Não queremos despedir-nos dos que amamos. Dos que nos marcam na vida. Dos que nos deixam saudades.
Sou uma sortuda porque nesta vida tive dois avôs. O de sangue que partiu há 20 anos. O que ganhei através do casamento que partiu hoje. Um homem que teve uma vida cheia e que encheu a vida de todos os que se cruzaram com ele. Sou uma sortuda.
Vou ter saudades, mas sei-o bem. Ao lado da mulher que amou uma vida inteira. Ao lado do filho mais velho que partiu antes do tempo. Na companhia da bisneta mais nova.
Sinto-me triste, mas também me sinto mais rica por ter conhecido este homem especial. No dia da cremação da Leonor pediu para a ver. A forma como a olhou não consigo descrever. Mas a partir daquele momento passei a admirá-lo ainda mais.
Hoje a família ficou mais pequena deste lado, mas ganhámos mais uma estrela para nos guiar.
Na memória ficam tantas coisas boas. Na memória ficam coisas que vou sempre contar à Joana (caso ela esqueça). Sempre que chegava o Zé Roberto perguntava-lhe: Quem é o teu querido? A Joana, de sorriso meio maroto meio doce, prontamente, respondia: Tu. Ele derretia-se. Ela sorria. Foi ele quem a ensinou a escrever o nome. Foi ele que também ficou emocionado e orgulhoso quando a viu dançar com a avó, na festa de anos, no passado sábado.
O mesmo orgulho que leva consigo. Dos filhos e filha. Dos netos e netas. Acho que não podia partir mais orgulhoso de todos.
Aos 89 anos, deixa-nos a sua ausência, mas também a riqueza dos seus ensinamentos. A riqueza de uma família: os Duarte Silva. Como sempre fez questão de frisar com ênfase.
Recordá-lo-ei sempre como alguém muito especial que, sem ser de sangue, teve, tem e terá sempre o meu amor de neta.


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