quarta-feira, 12 de março de 2014

O Mundo está do avesso

Se é que o tem! Mas é o que vejo à minha volta e me entristece.


O post de hoje era para ser só sobre as praxes, pois hoje cruzei-me com caloiros e seus mentores ou dux's ou idiota's que os partam!
Gritavam: "Eu matei a tua mãe para fazer arroz de puta!"
Que bonito! - pensei eu dentro da minha carrinha Peugeot, que quero vender e pela qual recebo propostas indecentes de quem deve achar que a vendo, não por necessidade, mas porque me saiu o euromilhões!
Os outros, de outro grupo com penicos azuis na cabeça, respondiam: Pró caralho! Pró Caralho"

Não, não ouvi mal! O diálogo era este mesmo! Não sou contra as asneiras porque quando estou danada até me sabe bem soltá-las! Coisa difícil nos últimos dois anos, pois vivo com a minha filha e a minha sogra! Penso-as só!

Ainda me obriguei a pensar que são jovens e não sabem o que é a vida. Permitem-se a estas idiotices!
Só que levei com eles mais 30 segundos (pois bloqueavam o trânsito) e acabou-se a paciência! Isto deve ser de estar cada vez mais perto dos 40 anos, podem alguns dizer...
Mas que treta de praxe é esta? Qual é a graça de dizer uma coisa destas? Onde é que está a piada?

Boa pergunta! É que  depois de ver na net o video de defesa às praxes, em que há quem ferozmente alegue que elas e a sua humilhação são imprescindíveis para a vida, fico com uma única resposta perante o que vi: cambada de idiotas!
Idiota mor o que teve a ideia da frase! É isto que os prepara a vida?
Se tivermos em conta o governo e o actual estado do povo português, se calhar eles é que estão certos.
É que estas criaturas no auge das suas hormonas e de todo um corpo físico e mental que lhes permite assimilar conhecimento e fazer obra, andam nas ruas a dizer que mataram a mãe do colega do lado para fazer arroz com ela.

Mas isto até que vai ao encontro do que se passou na AR, na sexta feira passada! Como? Porquê?
Porque estes idiotas caloiros e mentores (ou o raio são! Sim. não me formei na faculdade e não é por isso que deixo de ter um belo CV) podem muito bem vir a ser os profissionais da segurança que a semana passada bateram nos próprios colegas.

Depois de muito ouvir e ler comentários no FB, no sábado ao jantar, vi as imagens e fiquei perplexa! Mais do que isso! Vi com os meus olhos aquilo que me desalenta no país e tanta vontade me dá de ir embora.
Eram profissionais da segurança descontentes desfardados e os que estavam fardados também estão descontentes. Todos levaram cortes. Só que uns tiveram de ir trabalhar e outros não! Então e os colegas que se manifestam puxam um que está a trabalhar e arrefinfam-lhe?!

É este o país que temos! Do "eu sou coitadinho!". "Não! Eu é que sou mais coitadinho do que tu!"
Passos Coelho deve esfregar as mãos de contente ao ver TV.
- "Enquanto andam à trolhada uns nos outros, eu cá continuo!" - deve pensar.

É que vai fazer agora 40 anos que se vivia muito pior neste país a todos os níveis, e um grupo de pessoas, que decidiu não se fazer de coitadinho, foi esperto. Uniu-se na calada da noite, derrubou um regime e fez história.

Uma história das qual muitos hoje continuam a usar slogans completamente ultrapassados! Mas como um dia resultou, talvez 40 anos depois resulte... e sem dar muito trabalho! Sim, porque isto de fazer uma revolução ou defendermos o que queremos com unhas e dentes, veracidade e hombridade, é difícil!

A via do queixume e da facilitação é a mais fácil na vida. Concordo e faço mea culpa!
Mas há que assimilar isto e tentar mudar a nossa vida.

A semana passada um amigo, menos presente, falava de algo grave na sua vida e dizia que não se deveria queixar junto de mim, pois conhece bem o meu trajecto de vida. Já lá vão 20 anos que nos conhecemos! Boa pessoa!
Disse-lhe que não! Que o facto de eu ter vivido tudo o que vivo não anula o que ele estava a viver e a sentir.
O facto de eu ter perdido uma filha e outras coisas tantas que vivi, não invalida a sua vivência.
Cada um de nós tem a sua vivência. As coisas que nos marcaram mais novos. As coisas que não esquecemos. As que conseguimos ultrapassar.

Onde é que eu quero chegar?
A um ponto muito simples: se sabemos o quanto nos custou isto e aquilo, calcemos os sapatos de quem está ao nosso lado e pensemos no quanto lhes custa/custou isto e aquilo.
A nossa vivência boa ou má não pode diminuir a dos outros.
A nossa experiência, boa e má. existe para que nos ajudemos, para que nos apoiemos, para que vivamos mais perto uns dos outros.


Eu sei que o que acabei de escrever é mais um sonho cor de rosa de que um facto.
Mas a verdade é que tenho algumas pessoas assim na minha vida. Nem todas quanto as que gostaria! Mas as suficientes para me apoiarem quando me faltam as forças. As suficientes para me ajudarem a seguir em frente a colher as pedras que me surgem no caminho.

Não, não tenho heterónimos como o Pessoa! Poderia ter, mas não tenho! Só que continuo a acreditar nas suas palavras e a ter fé de que com todas as pedras consiga construir o meu/nosso castelo.
Só espero que até lá o mundo deixe de estar como está: do avesso!


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