quarta-feira, 16 de abril de 2014

Complexidades da vida... ou não!

Anda a circular um video que ainda não vi, mas só dos comentários percebi que se trata de uma bonita homenagem ao "trabalho" que é ser mãe.
Aquilo que me faz cócegas ao cérebro é que numa altura em que se dá "graxa" às mães, como eu, que a mais ou a menos tempo inteiro, também existe o movimento sobre a dificuldade que é ter um filho, nos dias que correm. No muro de lamentações que existe para justificar a quebra vertiginosa da taxa de natalidade.
Enquanto que algumas mulheres lutam desesperadamente contra o corpo porque querem ser mães, outras dão-se à oportunidade de dizerem que não os querem. Até aqui tudo bem. Chama-se liberdade de escolha. Viva a liberdade!
Aquilo que não percebo é que não se queira ter filhos porque economicamente não se lhes pode dar tudo de melhor. O que é que é isto afinal? ´
Amor? Valores? Carinho?
Que eu saiba nem a Merkel taxou estes três e todos os seus derivados!
Ter um filho é mesmo a baboseira que se lê: a melhor coisa do mundo.
Mas... quando se está predisposto a isso.
Quando sabemos que vamos ter de dar de nós para sempre.
Quando sabemos que o cansaço do trabalho de 365 dias por ano, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o coração fora do peito, o nó no estômago e o controlar dos nervos para não lhes passarmos ansiedade quando estão com 39 de febre e não sabemos o que têm, quando sabemos que o podemos perder para sempre...
Que tudo isto e mais um par de botas não é comparável ao amor incondicional.
Acho que viver isto, mesmo por entre gritos de irritação quando eles se portam mal, é do mais rico que a vida tem.
A seguir? Talvez uma relação amorosa vivida em pleno, sem atropelos, sem cobranças, sem condicionalismos que não sejam o amor e o respeito mútuo.
Ser mãe é um "trabalho" para a vida.
Ter filhos pode ser difícil, mas não tanto pelo que se vai gastar com a escola e as roupas, mas pelo filho "que nos pode calhar": autista, com paralisia cerebral, cego... até mesmo que morra a sair de nós, ou na véspera de fazer 4 meses, como foi com a minha Leonor.
Perguntem à mãe de uma criança cega ou com paralisia cerebral que se soubesse, o filho/filha que teria, voltaria atrás no tempo e não teria tido essa criança?
A resposta será claramente de que nada, por muito que a vivência seja dificilmente atroz, mas nada, poderá substituir o que essa criança fez na sua vida.
Ter um filho, tornou-se num capricho de muitos. Na obrigação de outros. No privilégio de poucos. Os poucos que se borrifam se o filho ou filha não tem calçado de marca e veste a roupa que já vem dos primos. O privilégio de ajudar um ser humano a criar asas não com base na Timberland ou na Chanel, mas com base no amor a si mesmo, aos outros... à vida. Sim. Porque viver e dar vida é o melhor mistério desta existência que temos que podemos viver.
Eu também quis ter filhos na altura certa. O destino ensinou-me que não é assim que as coisas funcionam. Fiquei desempregada quando uma filha nasceu e quando estava grávida da outra. Não fossem dois malditos vírus e teria duas filhas felizes, que vestiriam H&M, a roupa dos primos, dos netos e netas das amigas mais velhas.
Para ter um filho não é preciso ter muito dinheiro. Basta querer viver o que o mesmo video anda a mostrar ao mundo inteiro: ter um trabalho para a vida. Diria mesmo que para a eternidade. Acredito que mesmo quando o meu corpo perder o dom da vida, a minha alma, seja de onde for, olhará e velará pelo que de mais puro tive nesta vida: a minha filha.


1 comentário:

  1. Não acrescento uma vírgula ao que disseste. Concordo em absoluto. O que interessa é o amor. Esta frase pode parecer cliché, mas prefiro usá-la mil vezes e saber que o meu filho é feliz, do que passar-lhe a ideia de que o que é bom é ter calçado Timberland e roupa Chevignon ou o que valha. Beijos, querida amiga, continua a ser sempre genuína.

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