sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Saudade

Palavra que só existe na língua portuguesa, isto é, não tem tradução.
Podemos dizer "I miss you", mas não é a mesma coisa.
Quando a Leonor partiu, muitos foram aqueles que me disseram que a Joana por ter, apenas, quatro anos à data, se esqueceria da irmã.
Eu respondi sempre que duvidava. Sei que o tempo nos traz outra vida. Também eu, no meu dia a dia, aprendi a viver com isto e a não me lembrar dela a cada instante.
A Joana não esquece a Leonor. De vez em quando, fala da irmã com naturalidade e diz que tem saudades. Saudável. Diz que gostava que a irmã não tivesse ficado doente para a ter aqui com ela para brincarem.
A cada conversa que temos relativizo tudo. E os dias vão passando com uma Joana feliz, que de vez em quando, tem saudades da mana, que muito desejou.
Ontem, mais uma vez, foi parar de volta de um livro de bebé onde tenho algumas fotos da Leonor. Já lhe tinha explicado o que era e para deixarmos ali bem arrumadinho, que estava bem.
Só que a minha filha tem os genes da teimosia e da persistência, todos elevados ao quadrado, e ontem fez novo ataque. Com olhinhos dengosos pediu-me para ver. Acedi.
Não é muita coisa.
Mas bastou esta fotografia da Leonor, para ela dizer mãe tira uma fotografia, enquanto se apressava a colocar os dedos e a fazer um coração.
Dei-lhe o seu momento. Ficou feliz. Voltámos a arrumar tudo e a noite seguiu com naturalidade.
A vida tem-me ensinado que nada é igual de ser humano para ser humano.
Temos muito a tendência de achar que tudo é igual para todas as pessoas, mas a verdade é que contra todas as expectativas, a Joana não esquece a Leonor.
Acredito que no futuro terá dificuldade em se lembrar do rosto dela, mas a verdade é que mesmo aos 4 anos, já sentimos a ligação e o amor de irmãos. E isso não morre nunca!


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