quinta-feira, 5 de março de 2015

No Amor só o Coração Bate

Esta é a campanha lançada pela plataforma Maria Capaz para a qual me orgulho de escrever.
Esta noite na SIC passou a reportagem O Amor Não Mata.
O tema da violência doméstica não podia estar mais em cima da mesa. As notícias têm sido mais que muitas e parece que agora, finalmente, se despertou para uma realidade que a APAV conhece há anos e contra a qual luta.
As vítimas na maioria são mulheres, mas não esquecer que também há homens.
Lembro-me de há cerca de quase vinte anos a minha mãe ajudar a mãe de uma menina de quem tomava conta a ganhar forças para ir à APAV e pedir ajuda contra o marido que lhe batia.
Lembro-me bem da minha mãe deitar as garras de fora e ameaçar o tal homem para que ele não o voltasse a fazer, pois ao bater na mãe, também empurrou a filha na altura com cerca de 3/4 anos contra o sofá e fez-lhe uma nódoa negra na testa, pois foi assim que a minha descobriu e que ajudou a mãe da menina a perder a vergonha e a desabafar.
A minha mãe teve muitos defeitos, mas tinha este lado humano que era uma das suas grandes qualidades.
Lembro-me de a aconselhar a ter cuidado e a não provocar o que a senhora não quisesse fazer. Já era adulta e preocupava-me que ela se estivesse a envolver demasiado sem saber todos os detalhes do que se passava em casa do tal casal.
Lembro-me dela me ter ouvido e quase todos os dias termos falado sobre o assunto, de modo, a poder ajudar esta mulher.
Foi a minha mãe que ligou para a APAV, denunciou o caso e perguntou como podia ajudar esta mulher e lhe deu todas as armas, para que ela ganhasse coragem e perdesse a vergonha.
Uma vez tendo ido à APAV, a associação ajudou-a a conseguir libertar-se daquele homem.
Já lá vão muitos anos que soube que estava já divorciada, depois de um período quase que escondida, mas feliz com a filha que eu conheci criança, e à altura já uma adolescente.
A vergonha é sempre a maior sentença das vítimas.
Que a grande campanha que se está a iniciar sirva para salvar vítimas e também para nos acordar para uma realidade, à qual muitas vezes fechamos os olhos, porque não queremos saber da vida dos outros.
Que as vitimas percam a vergonha.
Que a sociedade civil ganhe o bom senso de detectar quem precisa de ajuda.
Porque só enfrentando o problema de frente, podemos acabar com ele.
Porque sou mãe e quero que jamais a minha filha seja uma vítima.

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